Artigos · 08 de outubro de 2026 · Teixeira & Franzen Advogados
Posso parar de pagar o financiamento do carro enquanto discuto os juros?
Não por conta própria. Com o atraso, o banco pode pedir a busca e apreensão do veículo em poucos dias, e o STJ decidiu que a simples existência de ação revisional não impede isso. O caminho seguro é continuar pagando ou pedir ao juiz autorização para depositar em juízo o valor que você considera devido.
O que acontece se eu parar de pagar
O contrato de financiamento de veículo tem alienação fiduciária: o carro fica em nome do banco como garantia até o fim do pagamento. Pelo Decreto-Lei 911/1969, basta a mora comprovada por notificação para o banco pedir a busca e apreensão. A liminar costuma ser concedida sem ouvir o devedor, e o veículo pode ser recolhido na rua. Depois da apreensão, você tem cinco dias para pagar a dívida integral, não só as parcelas atrasadas.
A ação revisional não suspende a cobrança
O STJ fixou que o ajuizamento de ação revisional, por si só, não afasta a mora. Para discutir o contrato com segurança, é preciso cumprir três condições: a ação deve apontar a abusividade de forma fundamentada, os valores incontroversos devem continuar sendo pagos e, para a parte controversa, o devedor pode pedir o depósito judicial. Com isso, a mora fica descaracterizada e o banco não consegue a apreensão.
O que fazer na prática
- Faça a análise do contrato e identifique com números o que está acima da média ou embutido.
- Com advogado, ajuíze a revisional pedindo a autorização para depositar o valor recalculado das parcelas.
- Mantenha os pagamentos até a decisão, para não dar motivo à apreensão.
E se o carro já foi apreendido?
Ainda há defesa: a notificação de mora pode ser inválida, o contrato pode ter abusividades que afastam a mora, e o valor exigido para purgar a dívida pode estar errado. O prazo é curto, por isso procure orientação logo que receber a notificação ou o mandado.
Fontes
- Decreto-Lei 911/1969 (alienação fiduciária e busca e apreensão)
- STJ, REsp 1.061.530/RS, Tema 27 (juros remuneratórios e abusividade)
Faça a conferência inicial do seu contrato
Envie a foto ou o PDF do contrato, ou informe a taxa, as parcelas e o mês da contratação. A ferramenta compara com a média do Banco Central daquele mês e aponta seguros embutidos e tarifas. Resultado informativo.
Analisar meu contratoDúvidas frequentes
Posso depositar as parcelas em juízo?
Sim, com autorização do juiz, na ação revisional. O valor depositado deve corresponder ao que você entende devido, calculado com base na média do Banco Central e sem os encargos abusivos.
Quantas parcelas atrasadas permitem a busca e apreensão?
A lei não exige um número mínimo. Uma parcela em atraso, com notificação válida, já autoriza o pedido. Alguns tribunais aplicam a teoria do adimplemento substancial quando quase tudo foi pago, mas o STJ restringiu esse entendimento.
Conteúdo informativo e educativo, sem caráter de consulta jurídica ou promessa de resultado. A avaliação de um caso concreto depende da análise do contrato por advogado.
